quarta-feira, março 02, 2005

É por estas e por outras

Fui obrigado a fazer uma pausa no meu interregno a postar depois de ler isto. Não fui eu que escrevi, a letra não é minha, hoje não é dia das mentiras e até deu na televisão (e não, não foi só na TVI).

É por estas e por outras que, cada vez mais, a igreja é uma instituição que é cada vez menos respeitada pelos jovens.

Será preferível andarmos todos a ter relações sexuais sem nos preocupar com algotão insignificante como é o Planeamento Familiar? Especialmente porque no mesmo jornal também saiu isto e, principalmente, isto.

Acho que a decisão é provocada por uma alienação da realidade. Aliás, na participação faz-se referência a um convite ao arrependimento e à retractação por parte do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo; prova uma de duas coisas: ou o padre anda sob influência de substâncias psicotrópicas que lhe causam alucinações, ou, ao estilo da Alexandra Solnado, também fala com Deus.

O senhor padre, que tem todo o direito a ter uma opinião, não pode intervir nas decisões das vidas das pessoas ao afirmar que não faz algo, partindo do pressuposto de que essas pessoas tiveram atitudes que, segundo ele, são pouco católicas, mas que, a não ser que tenha algum tipo de super-poder, ele não pode controlar. Na sua visão há, com certeza, poucas famílias a viverem no limiar da pobreza, com poucos filhos a seu encargo, que não frequentam a escola (ou se o fazem é só até à 4ª classe), e que, por falta de discernimento parental, ou, curto e grosso, por falta de jeito dos pais (aliado muitas vezes à falta de idade) para os criar, tornam-se em deliquentes. Ora, essa espécie, segundo o senhor padre, deve estar em vias de extinção em Portugal.

Calculo que este senhor tenha votado na Nova Democracia, o tal partido que pretendia transformar as mulheres em incubadoras humanas.

A não utilização de meios contraceptivos levanta questões muito mais importantes do que a possibilidade de um padre conceder a comunhão. Uma gravidez não planeada tanto pode ser mau para os pais, que podem ver a sua vida dar uns quantos passos atrás, como para a criança, que pode não receber a melhor educação. Já para não falar em doenças sexualmente transmissíveis.

Pergunto-me como irá controlar o padre o seu 'rebanho'. Será que vai estar a fazer vigílias pela sua freguesia a espiar os quartos alheios? Ou será por sistema de vídeo? E quanto ao apoio ao aborto, eutanásia, clonagem, etc? Será que vai gravar todas as manifestações para depois identificar os hereges? Será que vai propor o voto não secreto para saber quem vota a favor da despenalização do aborto no próximo referendo? Aguardam-se respostas.

Entretanto, julgo saber que amanhã sairá outra declaração (só a quem interessar), criticando a masturbação que, segundo estudos recentes (pela datação de carbono pensa-se serem do século XV), causa a cegueira. O padre recusar-se-á também a dar a sagrada comunhão a homens que ejaculem mais de uma gota de esperma por orgasmo, argumentando que uma gota é suficiente para procriar, e que mais é considerado genocídio!

O tema não se esgota, mas já me alonguei.

Carlos Barrocas

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

ABSTENÇÃO é a palavra chave. O sô Padre quer dar cabo de nós! Qual é o mal das relações sexuais pelo prazer "per si"?
Deixaremos de ser Cristãos, abdicaremos do sacramento da Eucaristia se o sexo estiver apenas destinado à procriação. Qualquer dia fazem um Ultimato ao orgasmo feminino...


Este caso fez-me lembrar um dos primeiros episódios do «Sentido da Vida». De partir o côco a rir.

12:35 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home