sábado, maio 07, 2005

Calou-se a voz

Acordar e receber ‘de chapa’ uma notícia destas não pode fazer bem a ninguém.

Uma das vozes mais conhecidas, se não mesmo a mais conhecida, de Portugal calou-se ontem quando o coração, cansado de tantas emoções de tantos anos de futebol não aguentou mais.

Jorge Perestrelo vai deixar muitas saudades das suas ‘ripa na rapaqueca’, ‘o que é que é isso, ó meu?’ ou das jogadas de golo que os avançados falhavam, mas que ele, com a sua ‘barriguinha’, facturava. Ele sabia o que dizer, sabia o que o povo dele gostava.

Sinto-me triste. Não tristemente solidário com a família, amigos e colegas, mas triste de facto. Porque sinto que perdi quase um membro afastado da família, aqueles tios que só vemos de ano a ano, mas que quando os vemos sabemos que temos diversão garantida. Talvez porque cresci a ouvir futebol na rádio com ele, sempre divertido, sempre certo, sempre alucinante. Ou talvez por outra razão qualquer.

Ficam muitos golos por gritar, mas fica para a história o último, o de Miguel Garcia, aos 121 minutos de um jogo alucinante; golo que gritou ao mundo como se não houvesse amanhã. Calou-se…mas calou-se contente por ver o seu Sporting na final da taça UEFA.

Carlos Barrocas