quinta-feira, maio 12, 2005

Direita (in)tolerante

Caro amigo João,

Tocaste num ponto bastante quente e quando dizes que o teu título diz tudo sobre a posição da esquerda e as diferenças em relação à posição da direita em relação ao assunto, eu remeto a tua opinião para o meu título.

Não será a tua posição tão extremista e intolerante quanto a dos pseudo-defensores do povo (sim, também eu acho que eles andam lá mais preocupados com a conta do banco do que propriamente com os problemas do país)?

É que uma coisa tem que ser esclarecida: é certo que o aborto é a última solução (desprezível, desnecessária e desesperante) para um problema que poderia ser perfeitamente evitado; porém, sabes perfeitamente que no nosso país nem toda a gente sabe o que é um preservativo ou uma pílula (sim, por incrível que pareça); e embora todos saibamos que há um líquido esbranquiçado que, se entrar num certo e determinado orifício feminino, pode dar frutos 9 meses depois, também sabes que num momento de excitação sexual o ser humano é puramente egoísta, inconsciente e quase irracional, pensando somente em atingir o ‘climax’ o mais rapidamente e da melhor forma possível. E assim, tal como tu dizes, acidentes acontecem. Porque, mais uma vez como tu deves saber, a excitação começa muito tempo antes dos instantes que antecedem o orgasmo e a última coisa que se tem na cabeça (literalmente) é o preservativo. E esse é o caminho que tem que se seguir.

Não quero com isto dizer que despenalizado e legalizado o aborto estes se façam ao desbarato, ao ritmo frenético de um a dois por mês, com promoções e descontos familiares; a legislação teria que ser bem elaborada de forma a não permitir leviandades, quer da parte das mulheres, quer da parte dos homens. Defendo, porém, que acima de tudo o combate ao elevado número de abortos clandestinos deveria ser feito através da educação e da formação das pessoas sobre o risco das relações sexuais sem preservativo (ou qualquer outro método) e de métodos contraceptivos no mínimo duvidosos.

O argumento que usas de que a legalização só ia conduzir a uma romaria das meninas ricas aos hospitais é uma falácia. É que, caso não saibas, as meninas ricas já fazem romarias aos hospitais e clínicas para fazer abortos; gastam é um bocadinho mais de gasolina porque têm que ir lavar a roupa suja à casa do vizinho. A legalização ia, isso sim, permitir que as meninas (e também os meninos porque também têm uma cota parte no assunto) menos ricas pudessem interromper a gravidez num sítio mais asseado, com mais condições e com pessoal mais especializado do que ali no vão da escada da rua mais escondida (e acredita, falo quase por experiência própria - se quiseres depois esclareço), onde para além de interromperem o desenvolvimento do feto, correm o risco de perder elas próprias a vida.

Um abraço,

Carlos Barrocas

5 Comments:

Blogger Daniela said...

A favor da educação!

9:27 da manhã  
Blogger erü said...

Não é intolerante e explico porquê. A esquerda apenas vê o aborto como algo que deve ser legalizado. A direita vê o aborto como algo que deve ser permitido em situações em que a mãe não tenha responsabilidade (violação) ou em que a sua saúde e a do feto esteja em risco. Simplesmente a direita não contempla os casos de irresponsabilidade. Isto não é ser intolerante, é ser racional.

Os argumentos da excitação e tudo mais não são válidos. Sei muito bem em que consiste o "darkside" do ser humano, mas isso não é desculpa. COmo defendia Freud, ainda temos SuperEgo para alguma coisa. Nesses momentos há simplesmente que ser responsável. E, volto a insistir, uma lei não se faz com base nos "acidentes", nos acasos.

O facto de se fazer uma IVG em condições precárias - facto - não é desculpa para ser legalizado. Por essa lógica, as drogas leves já estariam legalizadas, bebidas alcoolicas seriam vendidas a qualquer adolescente de 14 anos sem qualquer problema. Concordo com a questão da educação. Talvez seja mesmo o ponto fundamental. Mas educação responsabilizadora, que ensine às pessoas aquilo de que elas gostam - os seus direitos - e aquilo que elas abominam - os seus deveres. A questão das IVGs é para mim uma questão de responsabilidade. E toda a gente sabe como uma parte interessante da esquerda abomina o conceito.

2:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Querido João:
1 - Um filho é a pior coisa que uma mulher pode ter. Indesejado então...
2 - Experimenta fazer apelo ao SuperEgo quando estiveres em cima de uma gaja a ver se isso te serve de alguma coisa.
3 - Uma rapariga que engravide num momento de excitação sexual (em que o preservativo É MESMO a última coisa que se tem na cabeça) é, acima de tudo, uma "adolescente irresponsável que gosta de molho", mas Hitler foi, acima de tudo, humano? Hás-de me explicar isso melhor.
De qualquer maneira, já todos percebemos que, do que se trata, é de um ataque à esquerda, dê lá por onde der.
Um Beijo,
Pakalolo

10:04 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

é pk se pensa assim "Um filho é a pior coisa que uma mulher pode ter" que a despenalização do aborto deve ser feita.

6:19 da tarde  
Blogger erü said...

Desculpe, caro annonymous, mas não compreendi o seu argumento.

7:13 da tarde  

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