segunda-feira, junho 13, 2005

Até sempre, camarada

Morreu o último grande comunista português.

Há muitos anos que já se esperava por este momento,tal era o seu estado de saúde.

Seja qual for a inclinação partidária, é quase impossível não reconhecer a sua importância, não tanto pelas acções, mas pelas palavras, pelo carisma e confiança que transmitia a todos aqueles que lhe tentaram seguir os passos. Sem dúvida uma das maiores figuras da segunda metade do século XX português.

Os comunistas perderam o seu 'pai'. Muitos ingressaram no partido por influência da sua história, irrepetível, felizmente, nos dias que correm. Agora ver-se-á de que fibra é feita o Partido Comunista Português. Porque mesmo cego e já algo incapacitado, o camarada Álvaro era uma referência para todos os militantes, bastando umas poucas palavras num congresso ou numa Festa do Avante para levar ao rubro os presentes e conseguir atrair mais uns quantos para as fileiras do partido.

Pena que alguns não o reconheçam como uma memória positiva. Mesmo que não seja pelo nome Álvaro Cunhal, militante comunista, que seja por Manuel Tiago, homem da cultura.

Carlos Barrocas

2 Comments:

Blogger Daniela said...

Seria o última grande comunista português?

5:07 da tarde  
Blogger azurara said...

Olá Carlos.
O meu amigo até responde por mim... Repare: "Concordo também que não se pode escamotear o que ele tentou introduzir em Portugal: um regime estalinista que iria, certamente, afundar Portugal." Está a ver?
Mas não foi só isso. Nacionalizações, ocupações selvagens, saneamentos, perseguições (COPCON), enfim. Tudo foi da responsabilidade e iniciativa do PCP, logo de Cunhal. Imagine, só, que não tínhamos passado pelo PREC. Imagine que tínhamos destruído o nosso sistema produtivo. Imagine que não tínhamos tido a necessidade de reconstruir o País. Imagine que não tínhamos destruído valores fundadores da democracia, como, por exemplo, o da autoridade (sisteáticamente e intencionalmente confundida com o autoritarismos). Imagine...
Agora abra os olhos e imagine o "espanto" de país que teríamos hoje.
Agora reconheça que tudo isto se deveu à acção do PCP, a qual o meu amigo reconhece na afirmação que ito no início.
Há uma coisa em que tenho que lhe dar razão: o meu "ataque" inicial ao camarada Vasco. Eu até já fiz o mea culpa num dos posts seguintes. De facto, Vasco foi apenas um "assalariado" de Cunhal.
Cumprimentos

1:05 da manhã  

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