segunda-feira, julho 25, 2005

Falta de amor-próprio

Só pode ser o que falta aos portugueses que apoiam uma recandidatura de Mário Soares à presidência da República.

Depois de muito contestado, a sua figura surge agora da bruma, como se de D. Sebastião se tratasse, pronto para salvar Portugal, levando alguns dos seus apoiantes a bandeira do espírito revolucionário de Abril que Soares defendeu...há 30 anos.

Esquecemo-nos de um pormenor: nos últimos anos o Presidente da República tem tido as maiores e melhores desempenhos e emoções do seu mandato aquando da meia-maratona de Lisboa, passando ao lado das decisões importantes. Aliás, tal atitude foi iniciada por um tal sujeito, de bochechas bem guarnecidas, que alguns querem voltar a colocar no poleiro.

Trata-se, antes de mais, de uma falta de respeito por Manuel Alegre, previamente anunciado como candidato, pré-derrotado por Cavaco Silva; em segundo lugar, se Sócrates pensa que Mário Soares pode transmitir alguma estabilidade ao governo, tire o cavalinho da chuva: Soares tem sido um dos maiores críticos do Governo, aliando-se cada vez mais à esquerda; se pensa ainda que poderá fazer frente a Cavaco com Soares, tire o outro quadrúpede debaixo da água; por último, corremos o risco de perder o P.R. antes do fim do mandato, uma vez que, com 81 anos, Mário Soares não caminha para novo.

A alternativa: Cavaco Silva. É certo que o país se desenvolveu mais nos dez anos em que esteve à sua frente; também é certo que, por exemplo na educação, a contestação foi mais forte que nunca, criando uma clivagem entre governantes e governados muito pouco saudável. Contudo, e mesmo sendo de esquerda, admito que Cavaco poderá ser a melhor solução para controlar o governo e fornecer um equilíbrio entre uma maioria maioritariamente desconcertante e uma oposição que apenas ladra enquanto a caravana passa.

Carlos Barrocas