segunda-feira, outubro 17, 2005

Algo vai mal no reino do leão

Pior que mal, podre.

Desde o fim da última época em que perdeu tudo o que havia para ganhar em apenas quatro dias. Peseiro deveria ter saído, mas viu os seus poderes reforçados. Agora está em maus lençóis.Literalmente.

Defendi no início da época que Peseiro deveria continuar. Primeiro porque na segunda época conheceria melhor o clube e os jogadores; segundo porque teria mais experiência e poderia tirar partido disso; terceiro porque os grandes rivais mudavam radicalmente de mentalidade e o SCP apostava na continuidade. Contudo, a situação é irremediável. Os adeptos exigem a cabeça de Peseiro todos os dias, os jogadores não o respeitam (agora ainda mais), realizando exibições péssimas às quais nenhum treinador resiste (mas é sempre mais fácil despedir um ou dois que quinze ou vinte), a direcção abandonou-o, restando-lhe Dias da Cunha como seu irredutível defensor.

Mais do que atribuir culpas a Peseiro (porque o treinador que leva um clube a uma final da taça UEFA não esquece tudo o que sabe sobre futebol em três meses), é preciso um abanão que 'arrume a casa'; é preciso alguém que lá chegue e se imponha, mostre autoridade. Mudança que terá que passar também inevitavelmente pela direcção, que mostrou sempre pulso fraco para gerir as situações mais controversas dentro do clube e transpareceu sempre não saber o que dizer nos momentos maus: a cada derrota ou empate, o sistema isto, o sistema aquilo, os media isto, os media aquilo, repetindo-se uma fita semana após semana que acabou por saturar os próprios sportinguistas.

Exige-se uma transformação radical, primeiro a nível técnico, e logo depois a nível administrativo. Porque, se Peseiro não tem condições para continuar como treinador principal do Sporting, Dias da Cunha, ao demiti-lo, perde todo o crédtio que tinha perante accionistas, sócios e adeptos.

Carlos Barrocas