quinta-feira, junho 01, 2006

Deste Lado do Espelho

A Marquesa de Pombal

Cá vai um teste:

1. É ou não verdade que os pais e encarregados de educação só vão à escola, quando sabem que vão ouvir gabar os educandos ? Johnny o escreveu e eu confirmo que é assim.

2. É ou não verdade que os pais e encarregados de educação só vão à escola, quando os seus meninos/as são castigados por indecente e mau comportamento ? Os que vão ... e é preciso que a falta seja muito grave.

3. É ou não verdade que os encarregados de educação se demitem, muitas vezes, do seu papel, encarregando a escola e os professores do ensino das mais elementares noções ? De uma maneira geral, não me queixo. Porém, que qualidade de vida têm os meus colegas, que trabalham em escolas 'da pesada'? E quem os defende dos pais e encarregados de educação que os agridem ?

Assim, por decreto, o ME espera que os pais e encarregados de educação passem a dedicar mais tempo à escola. Ao fazerem a avaliação dos professores ( e porque não dos contínuos e dos funcionários do bar, cantina e secretaria ? Não tomam eles também parte na vida dos alunos ? ) pelo menos sempre dão dois ou três minutos ( o tempo que deve demorar o preenchimento de alguma ficha de cruzinhas ) da sua vida aquele cantinho onde os seus filhos/ as passam (?) grande parte das suas curtas vidas.

Perguntará o possível leitor: mas, no sistema actual, os pais também não tomam parte na vida escolar ? Resposta: claro que sim ! Têm a possibilidade de se associar, possuem um representante no Conselho Pedagógico e é desejável que venham às reuniões de final de período, onde têm hipótese de dizer o que lhes vai na alma. Quanto a este úlimo ponto, a maior parte não o faz, havendo aqueles que nunca vêm à escola, durante todo o tempo de frequência dos educandos.

O ME, porém, entende que os pais e encarregados de educação têm que participar, que raio ! E, já que o não fazem a bem, de moto próprio, fá-lo-ão à força.

Diz-se que, no final da sua vida, o Marquês de Pombal ( como que a justificar o modo brutal com que impunha as suas ideias ) afirmou que 'este povo só lá vai a chicote !'

E, assim, temos a honra de ter um Ministério da Educação pombalino.

Já agora, a Dona Ministra escusava, para implementar reformas, de usar insultos contra a classe. Grande estupor !

4 Comments:

Anonymous john said...

Excelentes textos, Maria Helena. Permita-me apenas uma ligeira correcção: não pretendi dizer que os pais dos bons alunos só vão "ouvir gabar" os seus petizes; a ideia é que, por norma, os pais dos bons alunos são aqueles que mais se interessam. De onde me surgiu esta ideia? Do próprio caso que tenho lá em casa: tanto a minha mana como eu fomos bons alunos, e em nada problemáticos (por favor não se lembre do meu décimo ano e das minhas bandas desenhadas... escrevia-as em inglês!). A nossa mãe acompanhou enquato pode as reuniões, sobretudo as da Patrícia (na minha altura ela começou a atrabalhar), e muitas foram as vezes em que a directora de turma da Patrícia fez à minha mãe aquele desabafo: os pais com que precisava mesmo de falar não apareciam.

Quanto à mulher do João... arranje gás-pimenta.

12:31 da tarde  
Anonymous john said...

E já agora: em comparação às escolinhas aqui da capital, a minha saudosa Escola Secundária de Odemira, da qual tão boas recordações tenho, é o paraíso!

12:33 da tarde  
Blogger Maria Helena said...

Thank you, Johnny ! Come and visit us one of these days !

Cheers !

2:27 da tarde  
Anonymous Patrícia said...

Gostei muito do texto. Por experiência como aluna e também já como professora verifiquei, por diversas vezes, que os pais mais preocupados pelos seus educandos, são aqueles que têm bom comportamento e até tiram boas notas. No entanto, considero que os pais dos outros alunos também se deveriam de preocupar com a vida escolar dos seus educandos, mas maior parte desses pais vêm a escola como um local onde os filhos podem passar o seu tempo até concluirem a escolaridade obrigatória e pouco se importam se os próprios filhos estão a tirar bons resultados e se são bem comportados. Geralmente são estes miúdos que mais problemas provocam no decorrer das aulas e até mesmo nos recreios, porque apesar de serem miúdos apercebem-se que os pais não se importam com eles, e tentam desta forma, chamar a atenção dos pais tendo comportamentos rebeldes. No entanto, também há situações em que são os próoprios pais que incentivam os seus educandos em não terem respeito pelos professores, empregados da escola e até mesmo pelos colegas. Infelizmente já tive contacto com estas duas realidades. Tendo em conta tudo isto, ainda a ME quer que os pais avaliem os professores? A avaliação dos pais vai contribuir para o quê? Certamente para destabilizar ainda mais a vida dos professores. Acho que é inaceitável esta situção. Como é que os pais podem avaliar os professores? Pelo que os próprios filhos dizem dos professores? Então, coitados de todos aqueles docentes que não conseguem que alguns alunos gostem deles.É muito injusta esta situação porque acho ninguém tem formação para avaliar um professor, a não ser que seja outro professor porque tem a noção das dificuldades que se encontra na profissão de docente. Imaginem como será a avaliação de um pai angolano ou ucraniano,que mal sabe falar e escrever português, avaliar um professor de Portugês? O que seria uma boa ideia, era a Sra ME permitir que o seu trabalho fosse avaliado por terceiros. Gostava de saber se realmente iria aceitar a situação.

10:14 da tarde  

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