domingo, agosto 20, 2006

A estação das tonteiras

É uma tradução possível para a expressão 'silly season', sempre aplicada ao Verão, vá lá saber-se porquê. Quem sabe se por causa de estarem de férias, logo com pouco que fazer, as pessoas se entretêm a fazer coisas que, em tempo normal não fariam. Sabe-se que a ociosidade é a mãe de todos os vícios.

Eu tinha jurado não gastar nem um cêntimo nas publicações cor-de-rosa (às riscas) que, por causa da estação ser 'silly', se têm ocupado do escândalo Raposo-Diniz. E estou a cumprir o juramento, pois até a imprensa mais séria dedica um quadradadinho ao ribombante assunto. Em curtas palavras: ela e ele apaixonaram~se num 'reality- xô'. Namoraram, viveram juntos, engravidaram, desengravidaram e acabaram. Ela, debitando um discurso incoerente; ele, com algumas capas de revista lacrimejantes e remetendo-se a um silêncio e a uma distância que só o dignificam. Ora vejamos: o rapaz Gonçalo Diniz é um actor com qualidade. Já o demonstrou em trabalhos como 'Os Távoras' e 'Dei-te almost everything'. Precisaria de uma publicidade tão estapafúrdia ? Quanto à D. Elsa, quem é ?, qual o seu valor intrínseco ?, o que fez/ faz para além de animar as hostes com a sua agitada viva sentimental ?
Vanessa Fernandes é uma moça que se farta de ganhar medalhas no triatlo. Ela corre, ela pedala, ela nada, ( salvo seja ! ) . Pois, dos seus feitos rezam os rodapés das notícias na TV e as páginas de desporto dos jornais e ... vivó velho, como se costuma dizer. Fala-se pouco, muito pouco, de quem faz o orgulho cá da gente, que bem precisa que a animem. Só que Vanessa não é Elsa e, por isso, fica-se pelo rodapé em vez de subir à capa. Domâge !
Já agora, e para rematar o assunto ( o tal sobre o que eu jurara não gastar um cêntimo e só neste bocadinho já vão uns quanto euros de Net, mas enfim ... ), porque é que o Verão é tão favorável às discussões e aos ajustes de contas conjugais ?

Segue-se que a 'silly season' Portuguesa 06, por isso mesmo denominada 'a estação das tonteiras', produziu este escândalo, a novela do Simão Sabrosa, o cessar-fogo (tosse,tosse) no Médio Oriente e os habituais incêndios. Nada mau, nada de novo.

As mentes também se ocuparam de publicidade. Precisamente do anúncio, patrocinado pelo Ministério da Administração Interna e pela Prevenção Rodoviária Portuguesa, segundo o qual, 'todos os anos cai um avião cheio de crianças, em Portugal'. Há uma aerovane e uma fila de meninos e meninas vai subindo e escolhendo lugares lá dentro. O avião descola e a imaginação do espectador ocupa-se com o triste destino que terá a cara de uma linda menina, que espreita pela janela.
Talvez para esconjurar a impressão de ver a realidade tão nua e tão crua, assim estampada no écrã, a estragar-nos o efeito 'silly' da 'season', logo se levantaram vozes contra. 'Que é de mau gosto, que já há bastantes pessoas com medo de andar de avião'. Outras aleivosias se disseram que agora me esquecem. Ora, parece que a mensagem é clara: todos os anos morre uma quantidade de crianças suficiente para encher um avião. Se fosse um autocarro, morreriam menos, mas aí teríamos os Directores da Rodoviária Expresso a protestar. O mesmo aconteceria, se as crianças chegassem para encher um navio. O problema não é o veículo; é que o número de crianças que morrem é mais para avião do que para outro qualquer meio de transporte. Por mim, estou com o ministro: chocante é os muitos petizes, cujas almas se evolam para o céu, mesmo sem avião.

Por referir mau gosto, em publicidade, aponto dois exemplos (fruto de opinião pessoal, mas ainda assim, de assinalar): quaisquer anúncios a telemóveis em particular e às comunicações, em geral, e aqueles em que uma menina ardorosa geme, enquanto bebe uma qualquer água pela garrafa, transformando esta em símbolo fálico demasiado evidente. Pronto, escrevi, está escrito.

Cheers