segunda-feira, setembro 04, 2006

Deste Lado do Espelho

Final de férias atribulado. Uma dor forte no ventre, uma ida ao Centro de Saúde, na tarde de sexta-feira.
Inscrição feita, esperei pouco que uma voz feminina, forte, chamasse o meu nome.
'Então, de que se queixa ? ' 'Dra. é uma dor muito forte na barriga, que me impede de dormir.' 'Diarreia ?' 'Não ... pelo contrário' ' Então, tome este copinho, vá ali ao gabinete e urine. Depois, leve ali aos srs.enfermeiros.'

Levei aos srs. enfermeiros dois milímetros de urina, quantidade demasiada para borrifar um guardanapo, que foi submetido a uma máquina, ue vomitou um papelinho, que, à medida que ía saíndo, provocou os seguintes comentários: 'Ui, tem aqui muita coisa. Por exemplo, uma grande infecção urinária, 'tá a ver ? 500 leucócitos, o máximo.'

'Tem infecção urinária, 500 leucócitos' 'Mas, eu urino bem, não me dói, nem sinto ardor.' 'Não faz mal, pode haver infecções urinárias assintomáticas' Pronto, está bem ... 'Ora, dra. já me aconteceu uma dor destas. Eram gases. Puseram-me soro e passou logo.' 'Então, vou dar-lhe um analgésico e depois, soro. Venha daí.'

Gabinete com três camas, 1, 2 e 3. Fiquei na 2. Na cama 1, uma mulher de idade tomava soro, também. O marido saiu. Deitei-me.Vieram as enfermeiras e apalparam o braço esquerdo. 'Não consigo encontrar a veiazinha. Vamos tentar o outro braço'. Apalparam o braço direito. Com dificuldade, lá saltou a veia. Agulha. Analgésico, gota a gota. 'Agora, vai estar descansadinha, até o frasco correr, 'tá bem ?' 'Como está na hora da minha sesta, até sou capaz de dormir.'

No calor da tarde, chegam aos ouvidos os sons, a vida. 'Enfermeiro, tire a temperatura da doente da cama 2'. O enfemeiro traz um termómetro. Ponho-o na axila. 'Dra, está ali aquele rapaz que precisa de tomar a injecção, a dra. sabe. Mas ele não quer.'

'Ó Zéi !'

'Tens de tomar a injecção. As pessoas fazem tratamento não é só para se curarem, é para evitar ficarem doentes. É a minha opinião.' 'Não tomo nada. Chamem lá 'í a outra médica, a ver se eu apanho alguma.' 'Ai, a minha vida, então ele não quer apanhar a injecção. Tenho que ir com ele a caminho de Lisboa, qu'é quê faço à minha vida!'

'Ó Zéi !'

'Enfermeira, é preciso tirar a temperatura rectal à doente da cama 2'. 'Tem aqui um termómetro. Quando acabar o líquido, vamos ver a temperatura rectal, 'tá bem ?'

'Ó Zéi ! Zé Batiiiiista !'

Passos no corredor. Vozes que chamam nomes.

'Ó Zééééi !'

'Menina ! Chame aí o sr. Zé, que a criatura está a chamar por ele há séculos' 'Ele foi levado quando a senhora entrou. Já vamos buscá-lo.'

'Ó Zé, onde que que tu estavas ?' 'Estava lá fora, com o nosso Zé.' 'Onde é que está o nosso Zé ?' 'Está lá fora'.

(continua depois do jantar)

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

nós os desterrados sabmos bem o k é recorrer às urgências do centro de saúde de Odemira... ai se dói.... ai se é complicado.... ai se é assustador... e no entanto sempre fui bem tratada lá....
tenho uma "piquena" lembrancinha para ti... segunda ou assim lá "se encontamos".....
teresa nunes

7:25 da tarde  
Blogger Maria Helena said...

Me too !
See you Monday !

11:59 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home