quarta-feira, julho 13, 2005

Murder by numbers

Apregoavam os jornais de ontem ou de anteontem (não me lembro bem) que em cada dez alunos do nono ano do ensino básico, sete reprovaram no exame final de Matemática.
Poderia começar para aqui a dissertar acerca destes números, como toda a gente já fez - calamidade, vergonha nacional, estes alunos passam para o secundário à mesma, etc. Na verdade, creio que os números falam por si só.
Antes de mais: a culpa não é dos professores. Ou, pelo menos, não serão eles os principais responsáveis. Culpados são os pais dos dias que correm, que não acompanham os progressos escolar dos filhos. Que não educam mas compram os filhos e uma pseudo educação baseada em toda a sorte de bens materiais (playstations e coisas do género) que lhes ocupam o tempo e aparentemente compensam a pouca ou nenhuma disponibilidade que os papás concedem aos rebentos. Que aceitam comportamentos inaceitáveis de miúdos já crescidinhos. Que não têm com eles uma palavra sobre sexualidade e que reprimem tudo aquilo que aos seus olhos parece socialmente inaceitável (se todos os pais lessem Piaget e Freud, seriam sem dúvida melhores pais). And so on.
Culpado é, também, o nosso sistema de ensino, com as suas fabulosas regras de promoção da mediocridade (na continuidade da educação que as crianças recebem dos pais), que permitem que alunos com um a Matemática transitem para o secundário e que estudantes a escrever acério (=a sério) cheguem à universidade. Um sistema educativo que desincentiva o estudo, o esforço, e que não incentiva os alunos a pensarem, a argumentarem, a criticarem. Um sistema de ensino equalitário, dito democrático, onde os professores perdem toda e qualquer autoridade. And so on.
João Campos

2 Comments:

Blogger molero said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

7:39 da tarde  
Blogger molero said...

Amigo João,
Raramente me vejo tão de acordo com um post blogoesférico, mas neste caso concordo a 500% com o que aqui nos dizes. A história do "acerio", como carinhosamente lhe chamo, já foi por mim contada a variadas pessoas de diferentes profissões e idades e continua a ser, para mim, a prova provada de que a culpa do estado da educação é muito mais dos pais e dos alunos do que dos professores.

Grande Abraço.
João Teago Figueiredo

7:55 da tarde  

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