terça-feira, junho 20, 2006

Mas a verdade, verdadinha...

... é que se a Lisboa do século XIX tivesse o mesmo encanto que as praias tropicais do Rio, provavelmente o infante D. Pedro teria ficado quieto. Mas um rapaz passa a juventude enfiado nos palacetes lisboetas, a assistir a bailes nos quais as raparigas mal mostram as bochechas, e os rapazes não falam de futebol ou do coche último modelo que adquiriram, com motor de quatro cavalos (literalmente). E não havia minis, logo, os tremoços não tinham metade da piada. É evidente que, com uma adolescência destas, e após meses de enjoo no meio do Atlântico, a terra de Vera Cruz, com os seus areais, os seus coqueiros, as caipirinhas, o samba, as raparigas bonitas, as "peladinhas" na praia, etc etc seria muito mais apelativa! Para melhor muda-se sempre.

Para além do mais, Beresford e as suas tropas andavam por cá. Ou seja, todo o Portugal da época parecia o Algarve de agora no Verão, mas fardado.

É bem verdade que o Brasil não é de todo o país que escolheria para viver. Mas a sua alegria ainda consegue tornar este triste Portugal mais deprimente. Enfim, valha-nos as minis e os tremoços. Ah, e o bacalhau (que é da Noruega, mas que os noruegueses não sabem cozinhar tão bem).

João Campos

3 Comments:

Anonymous Danielle Vargas said...

Olha, último comentário que coloco aqui! A internet vicia...eu deveria estar estudando e estou aqui!! Mas, enfim, não é todo dia que encontro um blog português (nunca havia entrado em um antes) falando de brasileiros.

É claro que o meu país não é o ideal de nação para viver-se. Elitista, dói andar nas ruas e ver meninos descalços, nos sinais a fazer malabarismos. Mas é bem verdade que ao menos o povo e mesmo os burgueses conscientes, entendem a carência de gentileza que alguns sofrem. É por isso que sinto a necessidade de conversar, dar carinho ao idoso que pede esmolas, perguntar o que ele pensa disso tudo. Nisso, eu agradeço por ter nascido brasileira...como ser humano, as diferenças sociais, de raças, culturas; só têm a enriquecer-me.

E ao menos, consigo rir (melhor coisa do mundo!!) de situações bem típicas, cotiadianas, e fazer amigos andando por aí (sempre me emociono com cenas tocantes do dia-a-dia).

Acho que o meu presidente vende para o mundo uma imagem pejorativa do povo brasileiro. Acho a política inexperiente e desorganizada, como também acho que isso tem lá as suas raízes Históricas (não culpo os portugueses, porque não foram os responsáveis pela nossa Ditadura, entreguista, que aniquilou o ensino público; mas as diferenças entre os teus meninos e os meus, começam quando a História destes últimos já começou errada e quando o capital para fazer as suas escolas, levado embora e investido fora de suas fronteiras.)

Eu não trocaria este chão por nada. Claro que para mim, a vida não é difícil, como para muitos é. Mas acho que eles são, com a sua força de encarar o dia estampada num sorriso, a maior riqueza desta terra.

Ufa!! Fim do discurso nacionalista e ufanista!
Beijos para ti, português! E torça pelo Brasil no Mundial!! Hahaha...

4:04 da tarde  
Anonymous Danielle Vargas said...

Ahhh, o seu texto é muito engraçado! Só não tenho a mínima idéia do que significa "minis" (minissaias?), "tremoços" e "piada" (aqui é uma histórinha inventada, geralmente envolvendo um portugês, rs*)!

4:10 da tarde  
Blogger Maria Helena said...

Very very very good, Johnny !

Danielle, gostei da tua análise. Aqui vai um pequeno glossário:

'minis' ( o povo, pouco versado em prosódia, também pronuncia 'mines' :))- garrafinha de cerveja
tremoço- fruto do tremoceiro, em forma de botão e de cor amarelo-laranja. Consome-se, depois de salgado, pois,caso contrário, não saberia a nada. É muito comum comer-se, acompanhando cerveja.
piada - por cá significa anedota, graçola, graça ou remoque mais ou menos maldoso. Enfim, qualquer coisa que pode ser ou muito divertida ou muito irritante. Cheers !

11:07 da tarde  

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