terça-feira, maio 10, 2005

Esquerda (in)tolerante

Perante a decisão de Jorge Sampaio, a esquerda não hesita: que se aprove a lei do aborto na Assembleia, sem referendo nem barulho no povo. Organiza-se uma tertúlia bem regada ali no estaminé de S. Bento e voilà, é a intrerrupção voluntária da gravidez fucking free for all.
A diferença de posições entre a esquerda e a direita nesta matéria explica e comprova o título deste post. Para a direita (mais ou menos em geral, se bem que no caso português se possa discutir a existência de uma direita *direita*), a lei actual é suficiente: salvaguardam-se os casos de violação, de má formação do feto, de perigo para a saúde da mãe. Ponto. Quanto aos restantes casos, existem à venda no mercado preservativos, pílulas contraceptivas e do dia seguinte, entre outros métodos para prevenir uma gravidez indesejada (ok, acidentes acontecem, mas não entremos por aí). Já para a esquerda, a situação é inconcebível: o aborto tem, não só de ser despenalizado, mas também legalizado, para que qualquer adolescente irresponsável que goste de molho possa usar e abusar, desde que tenha dinheiro (em rigor, desde que os papás tenham dinheiro) para mandar o feto pela pia. Porque é um direito da mulher, etc.
Se falamos em direitos, falamos em deveres e em responsabilidades, mas já se sabe que estes conceitos são para a esquerda o que uma cruz é para o diabo. E creio ser da responsabilidade da mulher (ou da rapariga) e do seu parceiro o facto de se engravidar. O Espírito Santo já não faz das dele há mais de dois mil anos, e, ao contrário do que algumas leitoras da Maria pensam, nem sonhos eróticos nem sexo oral engravidam. Logo, e uma vez que sabem que ter relações sexuais sem contraceptivos é estar a jogar à roleta, quando optam por o fazer assumem as responsabilidades.
A questão é que a esquerda não assume responsabilidades. E depois aponta o dedo à direita e acusa-a de intolerante. Mas a pergunta mantém-se: onde está a sua tão aclamada tolerância?
João Campos

1 Comments:

Blogger Daniela said...

Não podia deixar de comentar este post. Só é pena que não o tenha lido antes.
Quando falas em tolerância adoptas argumentos de esquerda e direita extremistas(lembrando-me do outro post). Acredito, felizmente, que hoje não se possa abordar a política nesses termos, muito menos em Portugal.
A pergunta que mais me assaltou ao ler o post foi «Será ele a favor da abstinência?» porque não? Não serias com certeza o único. Não podes é esperar que toda a gente no mundo, ou, reduzindo a demografia,de Portugal faça as mesmas opções que tu (se for o caso).
talvez fales desse modo por falta de conhecimento de causa - não que eu tenha muito mas possivelmente posso dizer um pouco mais sobre a matéria, sexos à parte. Quando os acidentes acontecem e uma criança não planeada e/ou desejada nasce traz problemas que vão para além do roubar o entretenimento dos papás(pensando em pais jovens). faltam-lhes, muitas das vezes, bens básicos - refeições equilibradas, saneamento, educação, dedicação,...
A questão da legalização do aborto é muito delicada. Há muito por avaliar. Já deves ter ouvido os argumentos que levam à proposta desta medida, contudo não te deves ter inteirado que são postas muitas vidas em causa com abortos ilegais (ficarias surpreendido ao saber a quantidade de mulheres que já os fez) e que muitas das crianças não planeadas desenvolvem distúrbios mentais e sociais.
Queria, ainda, dizer, para terminar que nem todos têm possibilidades de comprar constraceptivos, que a legalização não é sinónimo de levianização do aborto, mas tem a preocupação da vigilância sanitária, e que a esquerda não pode assumir responsabilidades a partir do momento em que não tem grande influência e poder(não estou a incluir o PS).
Falando em direitos e deveres: Se temos o dever de procriar(ou assumir responsabilidades...)deveriamos ter o direito de reunir todas as condições necessárias para acompanhar a criança.É óbvio que essa discussão não leva a lado nenhum.

12:00 da tarde  

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