quinta-feira, setembro 01, 2005

"é um comprimido cor de rosa, assim numa caixinha maneirinha, está a ver..?"

Curioso. No blog Causa Nossa, Vital Moreira discerne acerca dos apoios dos dois candidatos presidenciais - Soares e Cavaco Silva (não que este seja oficialmente candidato, mas é prática recorrente na comunicação social contar com o ovo no cu da galinha). Segundo VM, Soares conta com apoios nas áreas "da cultura, das artes, da literatura, da ciência, do trabalho", ao passo que Cavaco reunirá mais simpatias entre "empresários e gestores".
Miguel, n'O Insurgente, diz e bem que, nesse caso, os apoios de Soares são "consumidores" de subsídios", enquanto os de Cavaco são "geradores de riqueza". É um bom ponto de vista. E, se opomos as duas áreas, creio que a única pergunta que emerge será de que precisa o nosso país afinal - de cultura ou de riqueza?
Um país que lê pouco (e o pouco que lê é de qualidade discutível), foge do cinema português como o diabo da cruz, não vai ao teatro, não liga a ciência que não seja mencionada nos "Morangos com Açúcar" e não quer um trabalho mas um emprego precisa de Soares e dos seus "cavaleiros"? E um país sem dinheiro para comprar livros, ir ao cinema, ir ao teatro e pagar a televisão por cabo para ter programas minimamente decentes, precisará de Cavaco e dos seus "paladinos"?
First tings first, please.
João Campos

2 Comments:

Blogger Daniela said...

Vai haver uma viragem à direita: depois da controversa candidatura às presidenciais de Soares e de Manuel Alegre ter batido no ceguinho (entenda-se o governo de Sócrates) a esquerda não tem pernas para andar nestas areias movediças. Já o Cavaco, que nos habituou às suas decisões incisivas, ao trabalho e desenvolvimento (ainda que, para mal dos pecados de alguns, a custo) tem potencial para vir a ser o novo salvador da Pátria.
Afinal, não é isso que procuram os portugueses?

9:52 da manhã  
Blogger Maria Helena said...

Claro, Daniela. Os povos procuram sempre o 'pai'. No nosso caso, ele tomou o nome de D. Sebastião. Ou é da minha vista, ou, na actual conjuntura (como dizem os senhores e senhoras que falam, muito empertigados, nos debates televisivos) não há Mário nem Aníbal que animem a malta. Já os conhecemos, já sabemos 'como é'. Está bem, irão assumir papéis diferentes, mas, sangue novo, precisa-se. Melhor dizendo, precisa-se de dinheiro, segurança no trabalho/emprego, a tal saúde a nível de primeiro mundo e não de terceiro mundo, a educação, enfim, tudo aquilo de que se vem falando, há décadas e que não se conseguiu melhorar ou se melhorou muito pouco. É uma vergonha que um ajudante estrangeiro venha à TV dizer que 'fizemos estádios, mas não temos apoios e estruturas contra os incêndios'; ou que, na imprensa internacional, Portugal e Espanha sejam comparados quanto ao que cada um fez aos subsídios da UE e que Espanha tenha progredido e que Portugal se tenha ficado (quase sempre ...) pelos jipes e outros acepipes.
Ao ver esta apreciação ao n/ país, Portugal lembra aquela cantilena que os professores escrevem nas fichas de avaliação: 'Este país tem capacidades, que não aproveita'. Cheers !

7:09 da tarde  

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