sexta-feira, maio 27, 2005

O medo de Existir.

Por mais que tentemos pensar de outra forma, a maneira como os cidadãos deste imberbe país reage à introdução de medidas imprescindíveis para que os seus netos tenham ar para respirar, faz-nos dissipar qualquer pitada de esperança que possamos ainda ter no futuro.
Um dos mais recentes fenómenos editoriais é o livro do filósofo luso José Gil. Um reputado jornal francês coloca José Gil como um dos 25 pensadores mais influentes da europa. É uma lista particularmente credível uma vez que Luís Delgado aparece na posição 654.323.457.893 (diz RAP). Portugal Hoje - o medo de existir, é este o título da obra em causa, para além de ser a prova de que dissertações mais elaboradas do que os livros de Margarida R. Pinto têm público é, também, um estimulante ensaio sobre o que é afinal isso a que chamamos Portugal e para onde caminha.
Talvez valha a pena pensarmos que caminho toma este país quando todos os dias as televisões transformam os seus noticiários em espelhos de uma 'futebolândia' instalada e plenamente consagrada. Talvez devêssemos pensar por que razão temos um país onde as audiências aos espectáculos teatrais são tão baixas no mesmo momento em que programas como Fiel ou Infiel têm picos de audiências. Talvez pudéssemos parar para reflectir por que razão os portugueses não se interessam pela nossa língua, a pátria do Pessoa, e continuam ignorantemente orgulhosas a pronunciar 'póssamos' em vez de possamos!
Num país onde o nível de produtividade é metade da média da zona euro e se continua a querer ter a mesmo nível de vida de um cidadão Alemão, não me resta outra alternativa senão concluir que caminha para o abismo.
João Teago Figueiredo

3 Comments:

Blogger Miguel Santos said...

Caro João Teago Figueiredo,

Como estou em altura de exames, só há pouco tempo reparei que entrou para este blogue. Gostei deste texto e penso que deve continuar a escrever sobre livros como o de José Gil. Mas não pude deixar de achar dois erros no terceiro parágrafo: "devessemos", em vez de "devêssemos", e "podessemos", em vez de "pudéssemos". Julgo ter sido um mero lapso. De qualquer maneira, convém evitar lapsos. Um abraço e bons textos

11:00 da tarde  
Blogger molero said...

Agradeço a correcção e aqui me penitencio pelos lapsos. Não foi com o propósito de ser o purista da língua que escrevi este texto, aliás penso que ninguém o é, apenas queria chamar a atenção para o quanto a língua é por todos nós mal tratada. "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas" é algo que não digo nem direi. Um abraço e obrigado pelos reparos.

12:59 da manhã  
Blogger Daniela said...

Neste sentido, talvez devêssemos parar para pensar porque é que um curso de Cultura Portuguesa não é levado a sério entre os demais entes superiores. Este, sim, é o meu purgatório.


Bem haja.

1:13 da tarde  

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