domingo, setembro 24, 2006

Deste Lado do Espelho

Com PT, quem perde é você

Quanto a mim, já é o segundo Verão em que mando arranjar o computador e em que a conta do telefone vem bem gordinha. A minha NET vem pela mesma linha que o telefone. Este Verão, o computador não 'se pagou' pelos carregamentos que eu fui fazendo. Vai daí, telefonei para o apoio ao cliente. Deram-me números, passwords, usernames. Diziam que a PT "estava a fazer actualizações na zona de Santiago do Cacém". E a conta a aumentar ... 127 €, até dia 7 de Setembro. E em Outubro, outra conta virá, de dia 7 até 19. Foi quando, finalmente, um operador conseguiu resolver o problema. Como disse, acontece-me pela segunda vez. Não queria, mas vou aderir ao ADSL. Pelo menos, deixo a linha de telefone em paz.

A oitava esfera

No final de Julho, e já com a prevista mudança de casa a entrar em velocidade de cruzeiro, eu e os meus colegas de casa pedimos a transferência da nossa ligação à internet - a saber, Clix ADSL a 16 mbps. Disseram-nos do Clix que esse processo poderia levar dois meses, já que estão dependentes da PT, detentora da rede física de telefone. Basicamente, a Clix (ou a Oni, ou outro qualquer servidor de internet de banda larga - excepção feita, evidentemente, à Netcabo) necessita que a PT monte uma linha telefónica, no caso de a residência não a ter; ou que a desligue da sua central para que outra companhia a possa usar, no caso de a residência já a ter. E, por norma, a PT, já que detém a faca e o queijo, e até opera nesse meio, não facilita a vida à concorrência. Apesar de o tempo ser exagerado, não nos chateámos, até porque íriamos estar nas santas terrinhas durante Agosto. E lá fomos, a praguejar contra a PT.

A meio do mês de Agosto, somos informados pela Clix que a transferência da linha telefónica, pela PT, será feita no final de Agosto. O que, efectivamente acontece. Dia 31 de Agosto, a nossa nova casa está pronta a receber a ligação do Clix. O que não acontece. Telefonamos para lá - cinci dias úteis, diz o rapaz do apoio ao cliente, e tudo estará montado.

Os cinco dias passam a dez. Novos telefonemas, longas esperas (a pagar chamada), respostas inconclusivas, novos prazos que não são cumpridos. Numa chamada surreal, temos um técnico a dizer que não está nada na central. A coisa para passa para o próximo patamar da hierarquia, que após uma longa e inconclusiva explicação, diz" tem de aguardar". Já nos foi repetido trÊs vezes. Vinte e quatro dias passaram. De ligação à internet, nem sinais.

E, a esta altura do campeonato, mudar de servidor iria demorar muito tempo, e o serviço final iria ser pior - não conseguiríamos preço tão bom para uma ligação a 16mbps.

Pergunto-me se noutros países as coisas são assim. Se não há forma de punir uma empresa que faz gato-sapato dos seus clientes, porque sabe que se eles mudarem, ficam mais mal servidos. Se a concorrência no mercado da Internet é tão sofrível como aqui.

Enfim, do que eu preciso é de um novo país para viver, que este cada vez parece mais a oitava esfera do inferno, e cada vez estamos mais perto da nona. Ah, e já agora, quanto às imagens no Blogger, existe na barra de ferramentas do editor de texto um botão que quando lhe faz mouse over diz "Add Image". Depois é seguir as instruções, Maria Helena.

João Campos

sexta-feira, setembro 22, 2006

Deste Lado do Espelho

Morna do recibo ao fim do mês ( para cantar na música de 'Sôdade')

Ai, papel com cheirinho bom,
ai, papel com cheirinho bom !
É cheirinho a dinheirinho !
(Bis)

Sôdade ! Sôdade ! Sôdade !
Meu dinheiro, meu amor !

(Bis)

Eu vô escrevê, eu vô escrevê
P'ra não esquecê, prá não esquecê
P'ra não esquecê d'as contas fazêêê ...

(Bis)

Poupááá ! Poupáááá ! Poupááááá !
Passo a vida a poupáá !

Poupááá ! Poupáááá ! Poupááááá !
E o dinheiro a voáááááá !

Johnny, queria inserir um 'boneco'. Como posso fazer ? O JTF insere ...

Apontamentos mundamos IV


Numa das noites iniciais aqui em Ghent, ainda não muito bem aclimatados à cidade e à oferta de casas de pasto, sucumbimos, literalmente, e lá tivemos que ir à universal Pizza Hut saciar o apetite. Após o pedido feito aguardámos um pouco, não mais que três singelos minutos, até que nos informaram simpaticamente que o nosso pedido se tinha extraviado pelo que teríamos que fazer outro, tudo isto por entre pedidos de desculpa multiplicados e sequenciados. Esperámos mais quarto míseros e desprezíveis minutos até que o nosso pedido chegou, suculento e pronto a esmagar o bicho esfomeado que morava no meu estômago. Até aqui tudo parecerá normal, a não ser o facto das desculpas serem insistentemente insistentes (algo impensável no nosso cantinho periférico), mas a parte curiosa vem a seguir. Quando nos dirigimos à caixa para efectuar o pagamento disseram-nos que as Pepsi eram oferta porque estivemos muito tempo à espera.
Curioso. Foi esse o momento em que percebi o que é aquilo a que chamam Europa.

João Teago Figueiredo - Ghent

quarta-feira, setembro 20, 2006

Hot Club


Ontem fomos ver um espetáculo de Jazz no Hot Club de Gand com um dueto de acordeão e guitarra, numa espécie de música celta com ligeiras incursões na esfera do Jazz e do improviso, classificada no programa como Folk. Ambiente nublado do fumo constante num diálogo universal, poucos metros quadrados de espaço, repletos de pessoas com cara de Jazz - as quatro letras escritas na testa -, umas duas dezenas de cadeiras em plateia, ou talvez três, instrumentos pendentes no tecto em baloiço coordenado, as paredes num castanho derrotado pelas toneladas de sons que já ouviram, o bar de um dos lados com cervejas de todas as tribos voando em todas as direcções. Enfim, todo o espírito que o jazz transporta dentro de si estava ali, concentrado em trinta míseros metros quadrados numa cidade belga como esta. Todo o espírito que se sente mas nunca se irá conseguir explicar.
Por momentos acreditei estar num filme.

João Teago Figueiredo - Ghent

terça-feira, setembro 19, 2006

Uma boa notícia

Via Blasfémias: uma obra inacabada por Tolkien foi terminada pelo seu filho, Cristopher, e será editada na próxima Primavera.

Entretanto, continua-se à espera, não de Godot, mas do Clix....

João Campos

segunda-feira, setembro 18, 2006

Interlúdio

Interlúdio

'Turiruriruririruráturururátururará ! Turiruriruririrurá, turururá, turururá ! Trá-lá-lá-lá, trá-lá-lá-lá, trá-lá-lá-lá-lá, trá-lá-lá-lá-lá, plim, plim, plim, plim, plim, plim ...'

Escutaram a composição 'Für Eliza', de Beethoven, executada ao teclado de computador por Maria Helena.

terça-feira, setembro 12, 2006

Apontamentos mundamos III

Não sei se este é um sinal de estar na grande Europa, mergulhada em luz e joias de rico (à francesa, portanto), em que se permitem coisas a que a pequena Europa nunca sonharia ousar, mas aqui na Bélgica os carros de emergência média são Volvo XC90. Poderemos dizer que os cuidados médicos são, por isso, de luxo?
Curioso.

João Teago Figueiredo - Ghent

Deste Lado do Espelho

Johnny, my love, porque é que diz isso ? Desabafe connosco ! Conte-nos a sua história ! Somos all ears ! :)
Apenas para dizer que os servidores de internet portugueses em geral, e o Clix em particular, são uma bela merda.

João Campos

domingo, setembro 10, 2006

Apontamentos mundanos II


Hoje aqui na Bélgica os monumentos estão abertos com entrada livre, numa espécie de dia do monumento nacional. A Erasmus Student Network (ESN) organizou uma ida aos principais monumentos de Ghent com os alunos Erasmus presentes nesta cidade. Numa das várias caminhadas entre monumentos nós, os dois portugueses, ficámos inadvertidamente no fim da comitiva. Comentário óbvio:

"Portugal está sempre na cauda da Europa."

João Teago Figueiredo - Ghent

sexta-feira, setembro 08, 2006

Apontamentos mundanos

Estou desde ontem na cidade belga de Ghent, para aqui cumprir o programa Erasmus até Janeiro do próximo ano. Numa das habituais visitas à turista deparo-me com as seguintes situações:

- Na fnac Mariza está no terceiro lugar das vendas nesta loja mas aparece no género Jazz. Já Paulo Coelho, do qual literariamente nada me chama, apesar de usar uma língua que é a nossa surge na prateleira de "literatura espanhola";

- Uma frase do taxista que nos trouxe da estação dos comboios até à residência: "Qual é a capital de Portugal?"

João Teago Figueiredo

quarta-feira, setembro 06, 2006

Deste lado do espelho

Continuação do texto anterior ( escrito, por acaso, a seguir ao almoço de dois dias depois )

O líquido corria, lenta, lentamente. Impossível dormir.

'Não tires os dentes ! P'ra quéque estás a tirar os dentes ?'
'O nosso Zé ?' 'Está lá fora'.

'Então, sente-se melhorzinha ?' 'Sim, sra. enfermeira',

'Este hospital é muito bom, tratam-nos muito bem aqui. Onde é que está o nosso Zé ?' 'Está lá fora. Põe lá os dentes.'

Perto das 17.00, veio outra garrafa de soro. Ía ser-me colocada até ao fim. Perto de um litro ! Uma hora, escoara-se o equivalente a um dedo.

'Sra. dra. estou melhor. Preciso do frasco todo ?' Não seria preciso, concluiu. 'Venha cá, que eu vou receitar-lhe uns medicamentos'. Já convenientemente receitada, saí, quando as auxiliares começavam a limpar o chão.

Naquela tarde, o Centro tivera que tratar de mim, de uma velhota (mais os seus Zés e os seus dentes), de um bébé rechonchudo, de um rapaz neurótico e de mais quatro ou cinco pessoas. Possivelmente, até fora aquela uma tarde calma. É provavel que todos tenhamos saído melhor do que entrámos.

Na parede do consultório, uma citação do Ministro da Saúde dizia que 'ele', ministro,' não iria a Centros de Saúde. São demasiado maus.' Tem a certeza, sr. Ministro ?

Vivemos sob um Governo que gosta muito de produzir citações.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Deste Lado do Espelho

Final de férias atribulado. Uma dor forte no ventre, uma ida ao Centro de Saúde, na tarde de sexta-feira.
Inscrição feita, esperei pouco que uma voz feminina, forte, chamasse o meu nome.
'Então, de que se queixa ? ' 'Dra. é uma dor muito forte na barriga, que me impede de dormir.' 'Diarreia ?' 'Não ... pelo contrário' ' Então, tome este copinho, vá ali ao gabinete e urine. Depois, leve ali aos srs.enfermeiros.'

Levei aos srs. enfermeiros dois milímetros de urina, quantidade demasiada para borrifar um guardanapo, que foi submetido a uma máquina, ue vomitou um papelinho, que, à medida que ía saíndo, provocou os seguintes comentários: 'Ui, tem aqui muita coisa. Por exemplo, uma grande infecção urinária, 'tá a ver ? 500 leucócitos, o máximo.'

'Tem infecção urinária, 500 leucócitos' 'Mas, eu urino bem, não me dói, nem sinto ardor.' 'Não faz mal, pode haver infecções urinárias assintomáticas' Pronto, está bem ... 'Ora, dra. já me aconteceu uma dor destas. Eram gases. Puseram-me soro e passou logo.' 'Então, vou dar-lhe um analgésico e depois, soro. Venha daí.'

Gabinete com três camas, 1, 2 e 3. Fiquei na 2. Na cama 1, uma mulher de idade tomava soro, também. O marido saiu. Deitei-me.Vieram as enfermeiras e apalparam o braço esquerdo. 'Não consigo encontrar a veiazinha. Vamos tentar o outro braço'. Apalparam o braço direito. Com dificuldade, lá saltou a veia. Agulha. Analgésico, gota a gota. 'Agora, vai estar descansadinha, até o frasco correr, 'tá bem ?' 'Como está na hora da minha sesta, até sou capaz de dormir.'

No calor da tarde, chegam aos ouvidos os sons, a vida. 'Enfermeiro, tire a temperatura da doente da cama 2'. O enfemeiro traz um termómetro. Ponho-o na axila. 'Dra, está ali aquele rapaz que precisa de tomar a injecção, a dra. sabe. Mas ele não quer.'

'Ó Zéi !'

'Tens de tomar a injecção. As pessoas fazem tratamento não é só para se curarem, é para evitar ficarem doentes. É a minha opinião.' 'Não tomo nada. Chamem lá 'í a outra médica, a ver se eu apanho alguma.' 'Ai, a minha vida, então ele não quer apanhar a injecção. Tenho que ir com ele a caminho de Lisboa, qu'é quê faço à minha vida!'

'Ó Zéi !'

'Enfermeira, é preciso tirar a temperatura rectal à doente da cama 2'. 'Tem aqui um termómetro. Quando acabar o líquido, vamos ver a temperatura rectal, 'tá bem ?'

'Ó Zéi ! Zé Batiiiiista !'

Passos no corredor. Vozes que chamam nomes.

'Ó Zééééi !'

'Menina ! Chame aí o sr. Zé, que a criatura está a chamar por ele há séculos' 'Ele foi levado quando a senhora entrou. Já vamos buscá-lo.'

'Ó Zé, onde que que tu estavas ?' 'Estava lá fora, com o nosso Zé.' 'Onde é que está o nosso Zé ?' 'Está lá fora'.

(continua depois do jantar)